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Energia de Portugal 2014

Pressão aumenta na semana decisiva

Caminho: Equipas já cumpriram a terceira de quatro sessões de trabalho e preparam-se para os momentos finais da competição

Tiago Oliveira

José Rodrigues e Francisco Campelo: os membros da Lost in Reality explicam que a inspiração para a sua ideia surgiu quando se aperceberam do potencial que uma história podia ter na criação de uma nova forma de fazer viagens

Marcos Borga

Gabriel Dimas e Marlon Blummer têm estado extremamente dedicados ao trabalho. Tanto que já ficaram 'presos' em virtude do esforço "No outro dia esqueceram-se de nós aqui na sede da Fábrica de Startups", contam animados os brasileiros da EstoqueUP. "Num destes dias ficámos a trabalhar até às nove da noite e, quando demos por ela, toda a gente se tinha ido embora menos nós! Ficámos uma hora e meia à espera de todos. À sexta-feira sai-se sempre mais cedo, não é?", perguntam entre sorrisos. De facto, é notório o entusiasmo das equipas presentes no terceiro de quatro bootcamps do Energia de Portugal 2014 que tem juntado todas as equipas da competição nas últimas semanas para cumprirem pontos práticos do seu plano de aceleramento de negócio. Porque ninguém disse que avançar com uma ideia não ia dar trabalho na competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP.

Após três semanas, já se cumpriu mais de metade do caminho rumo ao investment pitch de 14 de novembro (pelo meio ainda há mais um bootcamp) e os grupos já afinam os motores rumo à decisiva sessão. Aí, as melhores equipas vão apresentar os seus projetos perante um conjunto de investidores e vai decidir-se não só quem ganha o prémio de €20 mil mas também a equipa, com o melhor projeto na área de energia, que vai receber seis meses de incubação na EDP Starter.  

Gabriel Dimas e Marlon Blummer: os brasileiros da EstoqueUP estão em Portugal para aproveitar a oportunidade única a todos os níveis. Tanto que confessam até já gostar de bacalhau

Gabriel Dimas e Marlon Blummer: os brasileiros da EstoqueUP estão em Portugal para aproveitar a oportunidade única a todos os níveis. Tanto que confessam até já gostar de bacalhau

Marcos Borga

Diminuir handicap

A equipa dos dois amigos de infância apresenta uma solução de gestão de compras e inventário para PME, tem apreciado as "intensas semanas" por terras lusitanas, até porque atualmente se encontram em pontos geográficos muito distantes do Brasil e têm agora uma oportunidade de finalmente estarem juntos para desenvolverem a ideia, darem uns retoques decisivos no modelo de negócio e conhecerem outro tipo de pressão. Ambos os programadores tinham alguma dificuldade em lidar com os aspetos económicos inerentes a fundar uma empresa, mas as sessões de trabalho "com os exercícios práticos e as palestras" têm sido um antídoto para diminuir este handicap.

Os Lost in Reality esperam também ver o seu trabalho dar frutos. Estão certamente a trabalhar para isso, andando de porta em porta a tentar comprovar as hipóteses do modelo de negócio que foram delineando, de acordo com os ensinamentos e noções adquiridas ao longo das três semanas que a iniciativa já leva. "Têm sido exercícios trabalhosos e cansativos, especialmente se quisermos ter uma amostra representativa do nosso segmento de clientes, o que pode ir até 100 entrevistas de rua", contam José Rodrigues e Francisco Campelo, os representantes da equipa.

História rumo ao Urban

O conceito de promover passeios turísticos numa app com recurso a histórias ficcionadas teve um teste interessante na quinta-feira, quando a equipa promoveu a narrativa de um estudante universitário que vai sair na noite de Lisboa e anda desencontrado dos amigos. A partir daí, foi percorrendo diversos locais em que foi travando amizades e conhecimentos até chegar à discoteca lisboeta Urban Beach. O objetivo foi "entender qual a aceitação do público por este tipo de histórias" e "ver como os comerciantes lidavam com a hipótese de fazer parte do nosso conceito a nível financeiro com ofertas e descontos". Querem ainda entender a melhor forma de atrair artistas, jornalistas e storytellers para produzir "conteúdos originais e criativos" e construir uma plataforma que reúna uma base de histórias de qualidade para servir de base à aplicação digital.

Tudo porque um dos principais desafios nesta fase é perceber até que ponto as hipóteses postuladas no modelo de negócio se comprovam. Os grupos já cumpriram seis etapas de um trajeto de nove (desenvolver o modelo, selecionar o cliente, criar valor, gerir relações, originar receitas e fabricar valor, ainda falta planear finanças, planear execução e realizar o pitch) que representam os diversos passos teóricos até à formação da empresa. Trata-se do método FastStart, que permite o desenvolvimento dos princípios da ideia de forma faseada e estruturada, com muitos exemplos práticos. O objetivo é que o negócio tenha menos risco, uma vez que é testado exaustivamente desde o início. Por isso, ao longo dos dias que separam cada bootcamp é necessário realizar uma série exaustiva de exercícios.

Luís Roquette Geraldes: especialista na ligação do capital de risco a startups, o advogado veio ao terceiro bootcamp do Energia de Portugal explicar, passo a passo, os riscos e oportunidades deste tipo de financiamento

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Marcos Borga

Caminhadas em Sintra

Palestras como a Luís Roquette Geraldes da firma de advogados Morais Leitão Galvão Teles Soares da Silva & Associados, o coordenador da Team Genesis, que presta aconselhamento jurídico na área da inovação e do empreendedorismo. Convidado desta sessão, procurou explicar às equipas como é que funciona o mundo do capital de risco. Mostrou as diferentes etapas e explicou os condicionalismos e riscos da estratégia. Na fase inicial em que muitos projetos ainda estão pode parecer prematuro, mas faz parte da estratégia de aceleramento que pretende preparar para todas as eventualidades.

Os membros da Tripalocal também estão a tentar comprovar tudo ao mais ínfimo detalhe. Vindos da China para dar ainda mais forma à plataforma de circuitos turísticos com base em experiências locais fora do vulgar, têm aproveitado para juntar trabalho às experiências culturais portuguesas. YiYi Wang já foi conhecer "galerias e museus", enquanto Jemma Xu não perdeu a oportunidade de ir "fazer caminhadas para Sintra". A noite de Halloween no Museu da Eletricidade ainda lhes dá "terrores" e "descobrir os detalhes do assassínio que encenaram" não sai da cabeça. A festa também serviu para retirar lições para a sua ideia de negócio que dizem estar a crescer rapidamente ao longo das semanas.

Mas já não havia tempo para mais confissões. Chegava o final do bootcamp e todos começavam a arrumar as suas coisas para se irem embora ou falar com mentores. Marlon Blummer não quis enganar e revelou que ia com outros equipas para o hotel "beber uma cerveja". O trabalho de todas as equipas segue intenso mas merece sempre um momento de descontração.