Um Projeto

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Energia de Portugal 2014

Missão: criar empresas globais

Internacionalização: a 3ª edição da competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP arrancou perante equipas brasileiras, chinesas e portuguesas.

Tiago Oliveira

Na terça-feira passada, a Sala dos Geradores do Museu da Eletricidade encheu para dar as boas-vindas às 15 equipas finalistas e para se falar de Portugal como plataforma de empreendedorismo

Luís Barra

Na repleta Sala dos Geradores do Museu da Eletricidade, em Lisboa, o burburinho era grande. Estava prestes a acontecer o pontapé de saída da 3ª edição do Energia de Portugal e um pouco por todo o espaço os membros das 15 equipas conheciam-se e falavam com entusiasmo. Contudo, era impossível não reparar num idioma deslocado de todo o resto. Um ouvido mais atento identificava o mandarim e reconhecia a equipa chinesa que, juntamente com quatro brasileiras, são o grande símbolo da internacionalização que, este ano, marca a competição de empreendedorismo do Expresso e da EDP.

Atravessar o inferno

Jemma Xu e Yiyi Wang vieram da China para Portugal e ainda mostravam sequelas da longa viagem. De estilo descontraído, olhavam com curiosidade para a cerimónia à sua volta e esperavam com ansiedade os próximos capítulos do que esperam ser a aventura das vidas. "O vosso país é muito quente", diz Jemma enquanto se ri. Por enquanto, a equipa, que promove turismo local com experiências fora dos habituais circuitos, quer focar-se no "contacto com outras startups e perceber o funcionamento do ecossistema empreendedor e como podem beneficiar da estada na Europa. Já sonham também com a vivência da cultura portuguesa e não hesitam em perguntar onde podem "fazer montanhismo e visitar um distrito de artes em Lisboa". Mas, por agora, voltam a atenção para a cerimónia que arranca à sua frente.

O começo oficial ficou a cargo de Pedro Norton, que recebeu os participantes na nova edição da iniciativa com a garantia de que "este projeto nasceu com o desafio de criar empreendedores e que, ao longo destes últimos anos, tem ganho escala e dimensão, como o demonstra a dimensão internacional". O presidente executivo do Grupo Impresa fez ainda referência a uma frase de Winston Churchill, em que o estadista inglês diz, às vezes, ser "preciso atravessar o inferno e continuar a andar em frente", para ilustrar as dificuldades que espera os empreendedores ao longo do seu caminho.

Vídeo das equipas foi ponto alto

Seguiu-se um painel dedicado ao papel de Portugal enquanto plataforma de empreendedorismo, em que membros das organizações de base mais próximas do movimento empreendedor luso procuraram explicar os desafios que se enfrentam no nosso país e os passos que já foram tomados para nos tornar mais competitivos. Opiniões a que António Lucena de Faria, CEO da Fábrica de Startups - organizadora dos bootcamps do Energia de Portugal - não se furtou na sua intervenção, onde realçou a necessidade de ter que haver condições para que as pessoas não tenham receio de arriscar.

Um dos pontos altos da tarde estava reservado logo para depois, quando se exibiu um vídeo com as 15 equipas a apresentarem de forma bem humorada os seus projetos perante os aplausos e risos da plateia. Os Me Passa Aí eram uma das equipas mais entusiasmadas ao verem a sua imagem no ecrã. O grupo que apresenta uma plataforma de ensino à distância para alunos do ensino superior agradece a oportunidade de "deixar de gatinhar e ter hipótese de dar um salto". Fizeram networking "logo nos primeiros cinco minutos" e querem "brincar com toda a gente".

Complementar a diversão com o trabalho é algo a que os portugueses da Primetag também não se furtam, até porque "se não houver alguma diversão" ficam "malucos!" Com um projeto que foge à forma tradicional como a publicidade online é feita, acreditam que no decorrer das quatro semanas vão ter "um caminho mais claro para chegar ao pote de mel no final do arco-íris".

Capital do empreendedorismo

As ideias fluíram e tiveram continuidade no espírito positivo das restantes intervenções da cerimónia. António Mexia, presidente do conselho de administração executivo da EDP destacou o papel do Energia em "juntar pessoas e dinheiro" e chamou a atenção para o empreendedorismo ser "uma cultura que obriga a que se valorize a diferença e isso ainda é um problema em Portugal", até porque na sua opinião "o erro é bom, quer dizer que se tentou fazer". Ainda assim vê a "cultura a mudar substancialmente nos anos" e olha com esperança para o futuro, sobretudo por causa de iniciativas como esta, que "concretiza ideias e as transforma em negócio".

A cerimónia contou também com a presença do secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, que destacou o papel que este movimento empreendedor pode ter na promoção de um dos sectores mais importantes na economia nacional, "onde só se consegue bater a concorrência se existirem ideias novas". Não se coibiu mesmo de afirmar que Portugal "pode ser a capital do empreendedorismo em matéria de turismo".

Já tinha chegado o final da cerimónia e a sala começava, a pouco e pouco, a esvaziar. Algumas equipas aproveitavam ainda os últimos instantes para fazer networking para o que se avizinha. Era a hora de carregar baterias para o primeiro bootcamp, que começava logo no dia seguinte. Em mandarim ou em português, a competição vai ser dura.

Artigo originalmente publicado no Expresso Economia de 25 de outubro